VIAGEM À ITÁLIA E SUÍÇA

Por: Thais Finotto Visani

Um passeio pela história e geografia acompanhado por arte e belezas naturais com sabor de chocolate, massas e muito queijo.

Estátua do mito Freddie Mercury em Montreux: o PQPCast foi conferir!

Estátua do mito Freddie Mercury em Montreux: o PQPCast foi conferir!

Ao viajar para Itália e Suíça na primavera ou verão prepare-se para temperaturas extremas com frio congelante e neve nos alpes e calor de fritar ovo no chão nas ruínas romanas. A viagem é maravilhosa e vale cada centavo, mas é sempre bom pesquisar bem os lugares antes e se informar sobre dicas e costumes locais, para nada estragar as suas férias.

Quem quer se aventurar pelos Alpes Suíços para apreciar as paisagens cinematográficas e quase surreais com lagos cristalinos e montanhas verdejantes na primavera, salpicadas com neve nos picos deve tomar os seguintes cuidados:

•    Vista-se com roupas aderentes ao corpo do tipo segunda-pele (tanto calças, como blusas).
•    Use um casaco impermeável que bloqueie totalmente a entrada do vento e a saída do calor.
•    Prefira meias quentes (pode ser mais de uma), pois o pé terá maior contato com a neve e o gelo.
•    Use calçados impermeáveis, com solado mais alto (de preferências botas) e com certa aderência, para não escorregar.
•    Não esqueça das luvas, cachecóis e gorros ou protetores de orelhas.
•    Leve óculos escuros.
•    Passe protetor solar.

Vamos começar nossa viagem por Zürich (Zurique), uma das grandes cidades na parte alemã da Suíça que fica à beira de um lago que vale a pena conhecer e pagar alguns Euros por um minicruzeiro (no penúltimo ponto do cruzeiro você pode descer na fábrica da Lindt e conhecer o Outlet de chocolates por preços que darão vontade de levar a loja toda). A cidade abriga mais de 50 museus, 100 galerias de arte, diversos jardins e seu centro histórico é o ponto de encontro para quem quer entretenimento à noite. Alguns dos pontos turísticos importantes também são as igrejas de Grossmünster e Fraumünster, Peterskirche (Igreja de São Pedro) e Johanneskirche (Igreja de São João). No segundo sábado de agosto a cidade cedia o Street Parade, um dos maiores festivais com techno e dance music da Europa às margens do Lago Zurich para demonstrar tolerância, liberdade, amor e respeito.

O belíssimo Leão de Lucerna, esculpido em um paredão de rocha.

O belíssimo Leão de Lucerna, esculpido em um paredão de rocha.

Nossa próxima parada é Luzern (Lucerna), outra cidade na parte alemã que também fica à beira de um lago. Faça um minicruzeiro imperdível ao pôr do sol e observe os últimos raios do dia iluminarem os topos brancos das montanhas e formarem caminhos nas águas. Os pontos mais importantes da cidade são a Kapellbrücke (ponte da capela), que é o cartão-postal da cidade, o Leão de Lucerna, um monumento às centenas de guardas suíços que morreram no massacre 1792 durante a revolução francesa, a muralha e as torres de sentinelas que ainda cercam a cidade e o Monte Pilatus. Marque também na sua agenda alguns dos eventos mais importantes da cidade: março – Comix Festival, junho - B-Side Festival (rock alternativo, indie e experimental), outubro – Käsefest (festival do queijo), novembro – Blues Festival.

De Luzern pegamos um trem para a cidade de Interlaken (literalmente "entre lagos" ou Interlagos) para visitar a estação de trem mais alta da Europa, Top of Europe, no monte Jungfraujoch a 3.471 metros acima do nível do mar. Na estação há um museu só com esculturas de gelo construído em um túnel de gelo e também há plataformas para olhar a vista e brincar na neve. Na cidade ao pé da montanha é possível se aventurar com Paragliding e Skydive e apreciar, em junho, o Greenfield Festival (festival de rock, punk e rock alternativo com grandes bandas mundiais) e, em março e abril, o Interlaken Classics (festival de música clássica reconhecido internacionalmente). Para quem quer visitar mais alpes vale a pena pegar um trem para Engelberg e subir até o Monte Titlis.

O belíssimo Château de Chillon, em Montreux, que serviu de inspiração para “The Prisoner of Chillon”, de  Lord Byron.

Não podemos sair da Suíça sem antes apreciar os famosos queijos e chocolates, por isso iremos até a encantadora cidade de Montreux, na parte francesa divisa com o país do Rei Sol. Nesta apaixonante cidade à beira do lago e ao pé dos alpes viveram grandes nomes que influenciaram o mundo na literatura, moda, cinema e música: Lord Byron, Coco Chanel, Charles Chaplin e Freddie Mercury. A cidade ainda conserva impecavelmente o Château de Chillon, um castelo insular que controlava toda a passagem de mercadoria da região e foi imortalizado no poema “O Prisioneiro de Chillon” (“The Prisoner of Chillon”), de Byron, e cedia o “Freddie for a Day Festival” em maio/junho e o “Freddie Mercury Memorial Day” em setembro. É deste maravilhoso lugar que sai o Goldenpass - Trem do Chocolate, um passeio nos conservados vagões do Expresso do Oriente que leva você pelos encantos dos alpes até a cidade medieval de Gruyères, para ver como o queijo é feito e prova-lo em diferentes estágios, e depois para um tour e degustação do “ouro negro” na fábrica da Cailler-Nestlé, a mais antiga da Suíça responsável pelo chocolate como conhecemos hoje. 

A Itália é outro país encantador e, quem deseja traçar os caminhos dos grandes imperadores, passear pelas ruas onde Da Vinci, Michelangelo Michelangelo e Dante cresceram e se inspiraram ou sentir o peso da história conservado em muralhas intactas ou fragmentos de ruínas deve prestar atenção às seguintes dicas:

•    Ao entrar em Igrejas ou qualquer monumento ligado à religião não use regatas e saias ou shorts acima do joelho. Não é permitido pessoas mostrando os ombros e coxas e você precisará se cobrir com um lenço ou comprar um avental descartável que eles oferecem no local (por até 5 Euros).
•    Não jogue moedas em todos os chafarizes e fontes. Moedas, só na Fontana di Trevi.
•    Não compre vários bilhetes unitários, compre um bilhete para 3 ou 7 dias: bilhete simples (Biglietto semplice B.I.T.) = 1 Euros (metrô ou ônibus para 75 min.), bilhete para 3 dias (Biglietto per 3 giorni B.T.I.) = 11 Euros e bilhete semanal – 7 dias (Biglietto settimanale) = 16 Euros.
•    Evite os menus turísticos e prefira as opções nativas. Pesquise os menus com calma, compare preços ou compre comida nos mercados para um lanche.
•    Não aceite flores, brinquedos ou qualquer outro presente oferecido por estranhos. Recuse terminantemente e continue andando. É comum vendedores ambulantes tentarem dar um “presente” sem motivo, mas isso pode ser um golpe para te distrair e roubar algo ou simplesmente pedir dinheiro que você ficará desconfortável em recusar. Não dê atenção aos vendedores ambulantes, senão eles continuarão te seguindo, olhe sempre reto, diga de modo firme “No, grazie” (“não, obrigado(a)”) e siga o seu caminho.
•    Redobre a atenção ao pegar um táxi. Ao entrar em um taxi verifique SEMPRE se o taxímetro está ligado e funcionando. Há taxistas que cobram um preço fixo, muito superior ao valor normal do trajeto com o taxímetro ligado. Tome cuidado especial no Vaticano e, se possível, prefira sempre pedir taxis direto na recepção do hotel ou hostel. Ao entregar uma cédula para o taxista no fim da corrida, certifique-se do valor da nota que está entregando e, de preferência, antes de passá-la para a mão do taxista, pergunte a ele de que valor é aquela nota: isso vai evitar um truque bastante comum. A nota entregue é rapidamente trocada por outra de menor valor, e ele pede o complemento, obrigando-o a dar mais dinheiro. Outro truque para se ficar atento é quando o taxista desliga o taxímetro assim que vocês chegam, tornando impossível verificar quanto deu a corrida. O motorista, então, poderá insistir que a corrida deu mais do que o taxímetro estava marcando. Fique atento ao valor até o momento final.

Florença: simplesmente imperdível.

Nossa primeira parada na capital mundial das massas, pizzas e gelatos é Firenze (Florença), a cidade fundada em 159 a.C. onde nasceu Dante Alighieri e viveu Michelangelo Buonarroti. Respire arte, arquitetura e história em cada esquina e aprecie a grandeza de uma das mais importantes cidades italianas ao visitar os principais pontos, como o belíssimo Complexo do Duomo, que engloba a Catedral Santa Maria del Fiori, o Sino da Torre (com 414 degraus e 85 m), o Museu do Duomo e o Baptistério. São estruturas imponentes e gigantescas construídas em mármore branco, verde e vermelho, sendo que a catedral foi feita para abrigar a todos os habitantes da cidade. Uma curiosidade é que o Baptistério tem portas em bronze e foi feito em um prédio separado da igreja, uma vez que pessoas não batizadas não podiam entrar na “casa de Deus”.

Tanto o Duomo, quanto a Ponte Vecchio, o Palazzo Pitti, a Capela Medici e o Palazzo Vecchio (ou Palazzo della Signora) são exemplos do poder da Família Medici na cidade, responsáveis por incentivar a arte e restaurar a grandeza à capital da República Fiorentina. O Palazzo Pitti, por exemplo, guarda uma grande coleção particular com obras de Rafael, Caravaggio, Ticiano, Rubens, Pietro da Cortona e mestres da Renascença e do Barroco, além de ter um jardim com vista privilegiada de Florença e de cidades vizinhas e permitir um vislumbre dos Apartamentos Reais.

Outros passeios imperdíveis são a Galleria dell'Accademia onde está Davi, de Michelangelo, junto com obras de Perugino, Giambologna e Botticelli e a Galeria Uffizzi, que guarda o Nascimento da Vênus (Botticelli), Madona com Menino (Filippo Lippi), Sagrada Família (Michelangelo), Vênus de Urbino (Ticiano) e Madona de Goldfinch (Rafael), além de trabalhos de Leonardo da Vinci, Giotto e Michelangelo, com uma vasta coleção de esculturas gregas e romanas. É recomendável garantir o ingresso com, pelo menos, um dia de antecedência para fugir de filas quilométricas já que os bilhetes reservados têm hora marcada para o início da visita.

Vale a pena conhecer a Grande Sinagoga de Florença (ou Templo Maggiore), que foi uma doação de um membro da comunidade judaica para fazer jus à beleza de Florença e à grandiosidade das outras construções religiosas da cidade. Tanto a arquitetura circular quanto os mosaicos e desenhos são belíssimos e mostram um outro lado dos prédios religiosos onde a natureza, cores e formas têm o foco principal.

De Florença vamos para um tour por três cidades que ainda conservam suas características medievais: Monteriggioni, Siena e San Gimignano. Monteriggioni ainda é cercada por uma muralha com 570 metros, construída entre 1213 e 1219, e ficou conhecida na Divina Comédia (Dante Alighieri) e nos games Assassin's Creed e Stronghold, além de ser o palco, em julho, de uma festa medieval famosa com direitos a bardos, danças típicas e competições sobre cavalos. Siena é mundialmente famosa por sua Igreja do Duomo (com fachada em mármore negro, branco e rosa) e pelo Palio (corrida de cavalos), que acontece nos dias 02 de julho e 16 de agosto na praça principal, a Piazza del Campo, onde os cavaleiros competem com as cores de suas bandeiras e brasões. Por fim, San Gimignano é um Patrimônio Mundial da UNESCO e ficou conhecida como Cidade das Torres, uma vez que as famílias e casas mais ricas construíam torres para mostrar poder financeiro e status; a cidade também se orgulha por ter “o melhor sorvete do mundo” e vale a pena experimentar o salaminho de javali e os doces típicos.

A grandiosidade do Coliseo visto por dentro: galerias e corredores que contam uma história sangrenta.

Finalmente chegamos a Roma, nossa última parada. Neste berço de um dos maiores impérios é impossível não visitar a área arqueológica central com o Arco de Constantino, Coliseo, Fórum Romano, onde estão as ruinas dos templos de Vênus, Vesta, Saturno Castor e Pólux, os arcos de Tito e Settimio Severo, a Casa Lívia e o Monte Palatino e o Fórum Imperial, onde estão a Coluna de Trajano e Mercado de Trajano, os templos de Marte Ultore e Vênus Genitrix, a Domus Augustana e a Domus Flavia. Como a atração é cheia de turistas, uma dica é visitar no fim da tarde, quando o sol não está forte e o número de visitantes é baixo.

Nas proximidades desta aula de história a céu aberto estão a Piazza del Campidoglio, projetada por Michelangelo com estátuas de Castor e Pólux e do Imperador Marco Aurélio, e também o Monumento a Vittorio Emanuele, uma construção imponente em mármore para homenagear o primeiro rei da Itália após a unificação do país.

Outros pontos importantes são a Piazza Navona, com suas belas fontes e o Palazzo Pamphili, onde funciona a Embaixada Brasileira, a Fontana di Trevi e Piazza di Spagna, a Villa Borghese, com uma importante galeria de arte e linda vista para a cidade e para a Piazza del Popolo e os bairros do Ghetto, com sua forte história judaica e bela sinagoga que tornou-se um símbolo de resistência e esperança, e o Trastevere, um dos bairros para deixar-se perder pelas ruas e observar a vida dos romanos.

Você não pode dizer que foi a Roma sem conhecer o Pantheon, o famoso templo a “todos os deuses” que foi convertido em uma igreja católica, mas conserva de certo modo rebelde todo o seu charme. Outro passeio interessante é o Castel Sant’Angelo, construído pelo Imperador Adriano às margens do Rio Tibre como um mausoléu, que foi transformado em castelo e forte militar e hoje abriga um túnel secreto ligado ao Vaticano, como um “Plano B” para algum eventual caso de emergência papal.

Apesar de ser confundido com mais um bairro, o Vaticano é um país independente com selo e moeda próprias e o Papa como Chefe de Estado. Seus marcos são a Piazza San Pietro, projetada por Bernini no local onde inúmeros mártires católicos foram mortos, a Basilica di San Pietro, onde estão a Pietà (Michelangelo), o Baldacchino (Bernini) e a estátua de bronze de São Pedro (Arnolfo de Cambio), além da cúpula de Michelangelo e inscrições de bronze no chão comparando os tamanhos das maiores catedrais do mundo. O Museu do Vaticano possui uma grande coleção de esculturas greco-romanas, artefatos egípcios, obras medievais, achados arqueológicos etruscos e pinturas de Rafael, Perugino, Botticelli, Cosimo e Domenico Ghirlandaio, além da famosa Cappella Sistina com a obra do Juízo Universal de Michelangelo.

Nossa última parada na viagem será além das muralhas de Roma, a estrada conservada desde 312 a.C., a Via Appia Antica, a primeira grande rua que ligava a capital do império à costa leste da península. Lá encontram-se as Catacumbas de San Callisto e San Sebastiano, labirintos escavados com vias estreitas a metros abaixo da superfície, para conservar os túmulos cristãos e os costumes funerais daqueles que esperam a ressureição e a vida eterna.